Demi Lovato ganha aliado antigo em luta contra vício: jiu-jitsu brasileiro

 

Quem conhece a história de vida de Demi Lovato pode achar redundante que se diga que ela “voltou a lutar”, se pensarmos em como é antiga a luta da cantora contra a dependência química e transtornos alimentares. Desta vez, porém, a expressão tem sentido literal. Quase cinco meses depois da overdose de opioides que a deixou perto da morte, ela se reencontrou com um aliado que já a ajudou muito na batalha contra os vícios: o jiu-jitsu brasileiro.

“Eu sei que estaria em um lugar muito sombrio sem treinar. É muito bom quando posso parar de pensar em qualquer um dos meus vícios”, disse ela no documentário “Simply Complicated”, lançado nove meses antes da overdose. Agora, com uma foto postada em dezembro, Demi mostrou que voltou a suar com o quimono e sua faixa azul. A legenda “nunca desista” mostra como seus laços com as artes marciais têm sido apertados nos últimos anos.

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Demi posa para foto com sua faixa azul Imagem: reprodução/Instagram
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Tudo começou em junho de 2016, quando Demi Lovato e o ator Wilmer Valderrama terminaram um relacionamento que, entre idas e vindas, durou seis anos.

Foi neste ponto que Mike Bayer, coach de desenvolvimento pessoal da cantora, esbarrou com a academia Unbreakable, em Los Angeles, e teve uma ideia. “Eu senti que seria ótimo. Ela amava kickboxing, e eu tinha esperança de que se apaixonasse pelo jiu-jitsu”, contou. Dito e feito.

Durante os seis anos de sobriedade que viveu antes da overdose, Lovato chegou a frequentar esta academia seis vezes por semana, durante cerca de quatro horas por dia. “Este é o porto seguro dela, é o lugar em que ela não precisa ser uma pop star. Ela já falou muito sobre seus vícios, mas este aqui virou um vício saudável para ela”, explicou Jay Glazer, fundador da Unbreakable, em conversa com a revista People.

Um diferencial do jiu-jitsu é a disciplina física e mental que exige; Mike Bayer fez uma descrição certeira ao tratar a modalidade como um “jogo físico de xadrez que a faz pensar”. Nos vídeos publicados junto a esta matéria (todos gravados antes da overdose), é possível ver como Demi se concentra e calcula os passos durante os treinos. “Fico constantemente pensando em qual é o próximo movimento, a estratégia”, relatou ela.

A modalidade dá enorme importância para a capacidade de “saber cair”. Se você pretende levar um adversário para o chão, precisa estar pronto para lidar com o impacto físico. A partir deste ponto, a ex-treinadora de Demi no jiu-jitsu, Danielle Martin, aproveitou para fazer uma comparação poética. “É sobre a técnica vencendo a força. Não é só sobre como nós caímos, mas como levantamos”, afirmou no documentário.

“Eu aprendi algumas coisas que ela enfrenta nas adversidades da vida. Isso tudo só me fez respeitá-la mais, e me fez querer trabalhar com ela ainda mais. Porque sei que posso fazer a diferença e um impacto na vida dela com o jiu-jitsu. É empoderador”, disse Danielle, antes de se emocionar: “Eu peço a Deus para vê-la com uma faixa preta na cintura um dia”.

“É algo que me tira da minha própria mente, é quase uma forma de meditação. Isso me fez mais forte como pessoa, me deu mais confiança e me transporta para um lugar totalmente diferente. Meu objetivo é conquistar a faixa preta um dia, mas preciso trabalhar duro por muito tempo para conseguir isso”, disse Demi, antes de completar para si mesma: “Levará muitos anos”. Aos 26 anos de idade, ela é faixa azul (três abaixo da faixa preta).

Eu sei que estaria em um lugar muito sombrio sem treinar – Demi Lovato

“Estou na jornada para descobrir como é estar livre de todos os meus demônios”, avisou a cantora. O uso da palavra “demônios”, no plural, é proposital. Além da dependência química, ela enfrenta transtornos alimentares como a bulimia e teve ajuda das artes marciais neste ponto. “Antes, não se podia falar sobre peso com a Demi. Literalmente não se podia usar o termo ‘malhar’. Ela passou a amar isso tudo”, declarou Bayer no documentário.

Treinadora foi demitida após declarações

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Iniciada em fevereiro de 2018, a turnê mundial “Tell Me You Love” inevitavelmente dificultou o cumprimento de uma rotina que, até então, era disciplinada. Além disso, os fãs, os veículos de imprensa que seguem o universo das celebridades dos EUA, como o “TMZ”, e Danielle Martin responsabilizam parte dos amigos da artista.

“Eu só posso protegê-la até certo ponto. É difícil proteger as pessoas de si mesmas”, lamentou a profissional, em julho, em polêmica entrevista à revista “Inside Edition”. Segundo Danielle, Demi perdeu alguns dias de treinamento, mas compareceu à academia Unbreakable no dia 23 de julho, véspera da overdose de opioides. Ela diz que o ritmo já estava diferente.

“Ela não estava só fisicamente exausta, estava mental e emocionalmente exausta também. Ela obviamente teve uma recaída. Perdeu sessões comigo. Foi triste porque eu sabia o motivo. Estou extremamente desapontada com as pessoas ao redor dela… Ela precisa reconhecer que essas pessoas não são suas amigas. Ela poderia ter morrido!”, contou.

Depois de deixar a clínica de reabilitação e antes de voltar a treinar, uma das primeiras providências que Demi tomou foi pedir a demissão de Danielle. Ao “RadarOnline”, a treinadora deu a entender que o estafe da cantora não gostou de suas declarações. A interpretação foi de que ela teria aproveitado o momento de fragilidade da aluna famosa para ter seu momento na mídia.

Desde a overdose, Demi está afastada dos holofotes e da carreira musical. Seus shows em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza, que teriam ocorrido em novembro, foram cancelados e não têm previsão para ocorrer. Enquanto isso, tudo indica que a cantora segue lutando em todos os sentidos.

Por Uol