‘Modelo Fla’ inspira brasileiros por reinvenção em abertura da Libertadores

Internacional e Corinthians abrem a participação brasileira nesta Copa Libertadores, nesta semana, com a ideia de reinvenção. Após trabalhos marcados por rigidez defensiva e pragmatismo no ano passado, os dois clubes buscaram treinadores no mercado com a missão de jogar em 2020 um futebol mais agressivo, dominante, que pressione mais o adversário. Algo mais próximo, por exemplo, do que fez o Flamengo de Jorge Jesus, campeão brasileiro e da própria competição continental.

Ambos os times terão que passar pela fase preliminar, a aqui chamada pré-Libertadores, para alcançar a fase de grupos da competição. O Inter estreia hoje (terça-feira), diante da Universidad de Chile, em Santiago, às 18h, enquanto o Corinthians pega o Guaraní do Paraguai, em Assunção, amanhã (quarta-feira), às 21h30. São apenas os jogos de ida, mas serão já as primeiras decisões da temporada para dois treinadores ainda em início de trabalho.

O Colorado, que já apostou em técnicos sul-americanos em um passado recente como Jorge Fossati e Javier Aguirre, voltou a seguir a receita e trouxe Eduardo Coudet do Racing. Se o antecessor Odair Hellmann, que dirigiu o Inter durante a maior parte do ano passado, apostava em um modelo com muitos jogadores atrás da linha da bola e uma marcação mais passiva, o argentino gosta do oposto: pressão intensa na frente, bolas roubadas perto do ataque e agressividade no combate.

Outra característica dos times de Coudet —e também outra semelhança com o Fla— é o uso de uma dupla de ataque, com dois jogadores mais centralizados e atuando perto do gol. Nos primeiros jogos do Campeonato Gaúcho, meias de origem foram usados nessas funções, como Thiago Galhardo, Sarrafiore e D’Alessandro. Com o retorno de Paolo Guerrero para o jogo contra “La U”, resta ver como o treinador vai encaixar suas peças.

Já o Corinthians não recorreu a um estrangeiro, mas buscou em Tiago Nunes uma novidade para mudar bruscamente seu estilo de jogo depois da demissão de Fábio Carille. Se o antecessor ficou famoso pelo jogo baseado em solidez defensiva, o novo comandante foi destaque em 2019 comandando um Athletico-PR que conseguia controlar seus jogos e impor seu ritmo, mas sem deixar de lado a verticalidade e a objetividade na hora de atacar.

As primeiras amostras do ano também têm sido positivas. O Corinthians oscilou em algumas partidas, mas mostrou na vitória por 2 a 0 sobre o Santos, na última rodada do Paulistão, como o novo estilo pode dar frutos: comandou o clássico, mostrou fluidez ofensiva e ainda foi firme atrás quando necessário, após ficar com um jogador a menos. Novidades como o controle de Cantillo sobre o meio-campo e a melhora de Boselli até na construção de jogadas já têm a marca do novo treinador.

Em estágios ainda embrionários para a implantação de seus modelos de jogo, ainda mais considerando a mudança drástica em relação aos perfis do ano passado, tanto Inter quanto Corinthians não terão margem para erro nessa fase da Libertadores. A julgar pelos primeiros indícios do ano, ambos os times são favoritos para alcançar a fase de grupos, e qualquer eliminação seria trágica. Afinal, os técnicos sabem que, sem resultado imediato, dificilmente os processos chegam ao fim no futebol. Cabe às equipes colocar em prática no principal palco da América do Sul o que já mostraram que podem entregar em casa.

Por Uol