Quem é o jovem de 16 anos que Massa aposta como futuro do Brasil na F1

 

As respostas diretas de Felipe Massa sobre a sua aposta para o futuro do Brasil na Fórmula 1 jogam os holofotes no jovem Caio Collet, que com apenas 16 anos dá os seus primeiros passos em monopostos já com resultados expressivos. Atual líder da Fórmula 4 francesa e com histórico vencedor no kart, o piloto pavimenta seu caminho até a principal categoria mundial ainda sem alarde, mas já lidando com a responsabilidade de ter seu nome apontado com convicção pelo último brasileiro a pilotar um carro de Fórmula 1.

Massa e Caio Collet têm como elo comum o empresário Nicolas Todt, filho do lendário dirigente Jean Todt. Nico agenciou Massa durante a sua carreira na Fórmula 1 e, desde 2016, também gerencia a de Collet. A coincidência ajudou a aproximar os dois pilotos e rendeu até um convite para o jovem sentir o ambiente da Fórmula 1 no GP de Mônaco de 2017.

KSP Reportages/Divulgação
Imagem: KSP Reportages/Divulgação
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“Eu sempre fui fã dele, foi um dos meus ídolos. Conheci ele através do Nico. Ele mora em Mônaco, me convidou para o GP. A gente conversa por mensagens”, contou Collet em contato com o UOL Esporte durante rápida passagem pelo Brasil antes de retornar para novas provas na Europa.Acompanhando a carreira do jovem de perto, Massa sempre apontou Collet entre os possíveis sucessores desde que deixou a Fórmula 1 no final de 2017. No começo deste mês, ao programa “Conversando com Bial” da TV Globo, foi ainda mais direto: “Acho que tem uma qualidade muito grande. Na minha opinião, é minha aposta”, disse Massa.

Elogios que podem aumentar a responsabilidade, mas não atrapalham o foco do jovem. “Eu me sinto honrado (com os elogios do Massa). Mostra que estou indo no caminho correto. Mas dentro da pista perguntam se sinto pressão, mas eu procuro esquecer isso. Se você pensar muito nisso e colocar pressão, pode atrapalhar”, disse Collet.

Início aos 7 anos e F1 como alvo

Filho do piloto de rali Carlo Collet, que venceu o Rally dos Sertões na categoria UTV em 2013, Caio desde muito novo vivenciou o ambiente do automobilismo. Começou a correr de kart aos sete anos e com 12 já teve a experiência de correr na Europa. Conquistou quatro títulos brasileiros até se firmar de vez na Europa, em 2015, quando ficou terceiro no Mundial de kart e foi o melhor estreante no Europeu.

Desempenho que chamou a atenção da equipe de fábrica da Birel ART Racing Team, que é comandada pelo empresário Nicolas Todt. Integrado em 2016, Collet na sequência passou a fazer parte da All Road Management, que reúne um grupo de pilotos gerenciados por Todt.

“A primeira vez que corri de kart na Europa foi com 12 anos, em 2015 fui bem e isso chamou a atenção do Nico. Em 2016 entrei na equipe de kart dele e a partir deste suporte pude me desenvolver mais”, contou.

A experiência desde cedo na Europa, em sua opinião, ajuda no desenvolvimento de sua carreira e pode ser um diferencial para atingir o objetivo, que é chegar à Fórmula 1. “Acho que sim (estar na Europa desde cedo ajuda no desenvolvimento da carreira). Meu objetivo, sonho, desde que andei de kart é chegar na Fórmula 1. Vou dar o meu máximo para isso, para viver disso”, projetou.

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Caio Collet durante época no kartImagem: Divulgação

Depois de oito anos no kart, iniciou neste ano a transição para os monopostos. Disputou sete provas de F-4 nos Emirados Árabes no começo de 2018 e ganhou uma. Na Fórmula 4 Francesa, lidera a temporada com 23,5 pontos de vantagem a três etapas (12 provas) do final. Já venceu por três vezes e admite que, de certa forma, se surpreendeu com os resultados de imediato.“Acho que a adaptação foi muito difícil. Aqui o fim de semana é muito diferente. O carro muda muito também, o freio é a maior dificuldade. Acho que estou trabalhando para ganhar, os resultados mostram que está dando certo, mas surpreendeu sim. Não que está sendo mais fácil, mas pela rapidez dos resultados”, disse.

Morando em Le Mans, Collet tem como hobby jogar tênis e gosta de ir na academia e andar em simuladores, o que não deixa de fazer parte de seu trabalho. Aos 16 anos, não estipula prazo para cumprir o sonho de chegar à Fórmula 1. “Difícil falar, porque automobilismo depende muito de resultados, senão é muito difícil. É continuar trabalhando o máximo, e subindo de categoria”, disse.

Em teoria, Collet ainda tem outros dois degraus a passar antes de se candidatar à Fórmula 1, sendo a Fórmula 3 ou GP3 e a Fórmula 2. Uma estimativa realista coloca cinco anos como um tempo razoável para o brasileiro estar pronto, mas bons resultados nas pistas podem até abreviar esse caminho. Ele espera o encerramento da Fórmula 4 Francesa para avaliar qual o passo a partir na próxima temporada.

Por Uol